Professor

Jailton Cristalino Pereira

  • Língua Portuguesa

Sintaxe — Orações Subordinadas Substantivas

Plataforma de Estudo · Teoria e prática orientada

1. Objetivos e conhecimentos iniciais

Este percurso foi organizado para estudantes, vestibulandos e concursandos. Ao final, você deverá identificar uma oração substantiva, explicar sua função, distinguir classificações próximas e analisar pontuação, regência e concordância.

Antes de começar: oração é uma estrutura organizada em torno de um verbo ou de uma locução verbal. Em “A turma vai estudar”, “vai estudar” é uma locução verbal e organiza uma oração. Em “Espero que a turma estude”, “espero” e “estude” organizam duas orações.

Nas etapas iniciais, trabalhe os exemplos básicos. As construções de análise mais complexa aparecem em blocos de aprofundamento.

Verifique: quantas orações há em “Espero que você consiga resolver a questão”?

Duas, no tratamento escolar usual deste exemplo: “Espero” e “que você consiga resolver a questão”. Na segunda, “consiga resolver” funciona como locução verbal. Não conte automaticamente cada forma verbal como uma oração diferente.

2. De uma expressão nominal a uma oração

PeríodoElemento em destaqueFunção
Desejo sua aprovação.Expressão nominalObjeto direto
Desejo que você seja aprovado.OraçãoObjeto direto

Nos dois períodos, o trecho destacado responde pelo complemento do verbo “desejar”. No segundo, esse complemento apresenta um núcleo verbal próprio: “seja aprovado”.

Oração subordinada substantiva é a oração que exerce uma função sintática também desempenhada por um substantivo ou uma expressão nominal. Ela pode funcionar, por exemplo, como sujeito, objeto direto ou complemento nominal.

[Desejo] [que você seja aprovado].
Oração principal: “Desejo”.
Oração subordinada: “que você seja aprovado”.
Função da subordinada: objeto direto de “desejo”.
Classificação: oração subordinada substantiva objetiva direta.

A subordinação é uma relação sintática: a oração subordinada ocupa uma função na estrutura a que se liga. Evite usar apenas “sentido incompleto” para reconhecê-la.

Verifique: por que “que a turma participe”, em “Espero que a turma participe”, é substantiva?

Porque a oração inteira funciona como objeto direto de “espero”, função que uma expressão nominal também pode exercer: “Espero a participação da turma”. A classificação depende da função, não apenas da presença de “que”.

3. Revisão das funções sintáticas

Compare a função da expressão nominal com a da oração. Muda a forma do termo, mas a função se mantém nos pares abaixo.

FunçãoExpressão nominalOração na mesma função
SujeitoSua participação é importante.Que você participe é importante.
Objeto diretoEspero sua participação.Espero que você participe.
Objeto indiretoNecessito de sua participação.Necessito de que você participe.
Complemento nominalTenho necessidade de sua participação.Tenho necessidade de que você participe.
Predicativo do sujeitoMeu desejo é sua participação.Meu desejo é que você participe.
ApostoDesejo uma coisa: sua participação.Desejo uma coisa: que você participe.

Objeto indireto completa um verbo com preposição exigida pela regência. Complemento nominal completa um nome: substantivo, adjetivo ou advérbio. Predicativo do sujeito atribui uma identificação, estado ou propriedade ao sujeito. Aposto explica ou especifica um termo.

Verifique: em “Tenho certeza da aprovação”, “da aprovação” completa um verbo ou um nome?

Completa o substantivo “certeza”, por isso funciona como complemento nominal. Esse ponto será essencial quando o complemento aparecer na forma de oração.

4. Um método para reconhecer e classificar

  1. Localize os núcleos verbais e delimite as orações.
  2. Identifique o trecho subordinado, incluindo a preposição que o introduz, quando houver.
  3. Experimente substituir o trecho por “isso”, “disso”, “nisso” ou outra forma exigida pela estrutura.
  4. Analise a função do substituto: sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
  5. Classifique a oração e justifique com base nessa função.
PeríodoSubstituiçãoAnálise
É importante que você revise.Isso é importante.“Isso” funciona como sujeito: oração subjetiva.
Espero que você revise.Espero isso.“Isso” funciona como objeto direto: oração objetiva direta.
Necessito de que você revise.Necessito disso.“Disso” completa o verbo “necessitar”: oração objetiva indireta.
Tenho necessidade de que você revise.Tenho necessidade disso.“Disso” completa o nome “necessidade”: oração completiva nominal.

Limite do teste: a substituição ajuda, mas não resolve sozinha a classificação. É preciso analisar a função que o trecho ocupa. Preserve a preposição e use exemplos de leitura clara; em estruturas mais complexas, o contexto e o referencial gramatical também importam.

Verifique: em “Lembro-me de que estudamos esse assunto”, a substituição adequada é “lembro-me isso” ou “lembro-me disso”?

“Lembro-me disso”. A forma pronominal “lembrar-se” exige “de”. Apagar a preposição produziria uma estrutura inadequada e esconderia a função de objeto indireto.

5. As seis classificações do percurso básico

O percurso básico adota as seis classes usuais da nomenclatura escolar. A função sintática da oração inteira determina a classificação.

ClassificaçãoFunçãoExemplo
SubjetivaSujeitoÉ necessário que todos colaborem.
Objetiva diretaObjeto diretoA professora informou que haverá revisão.
Objetiva indiretaObjeto indiretoLembro-me de que já estudamos o tema.
Completiva nominalComplemento nominalTenho certeza de que haverá revisão.
PredicativaPredicativo do sujeitoMinha expectativa é que todos participem.
ApositivaApostoTenho uma expectativa: que todos participem.

5.1 Subjetiva

A oração subordinada exerce função de sujeito do verbo da oração principal. O período tem sujeito, expresso por uma oração; não se trata, por isso, de oração sem sujeito.

É necessário / que todos colaborem.
Substituição: isso é necessário.
“Que todos colaborem” é o sujeito de “é”.
Classificação: subordinada substantiva subjetiva.

Também aparece em estruturas como “Convém que todos colaborem”, “É sabido que haverá revisão” e “Sabe-se que haverá revisão”. Reconheça a função, sem depender de uma única fórmula.

5.2 Objetiva direta

A oração exerce função de objeto direto do verbo da principal.

A professora informou / que haverá revisão.
A professora informou isso.
Sujeito da principal: “a professora”.
“Que haverá revisão” completa “informou” sem preposição exigida.
Classificação: subordinada substantiva objetiva direta.

5.3 Objetiva indireta

A oração completa um verbo com preposição exigida por sua regência.

Lembro-me / de que já estudamos o tema.
Lembro-me disso.
“Lembrar-se” rege “de”.
Classificação: subordinada substantiva objetiva indireta.

5.4 Completiva nominal

A oração completa o sentido de um nome: substantivo, adjetivo ou advérbio.

Tenho certeza / de que haverá revisão.
Tenho certeza disso.
O trecho completa o substantivo “certeza”.
Classificação: subordinada substantiva completiva nominal.

Outro exemplo: “Estou confiante em que a equipe resolverá o problema”. A oração completa o adjetivo “confiante”.

5.5 Predicativa

A oração exerce função de predicativo do sujeito. No padrão básico, a principal apresenta sujeito e verbo de ligação.

Minha expectativa é / que todos participem.
Minha expectativa é isso.
Sujeito: “minha expectativa”. Verbo de ligação: “é”.
A subordinada identifica o conteúdo da expectativa.
Classificação: subordinada substantiva predicativa.

5.6 Apositiva

A oração explica ou especifica um termo anterior, exercendo função de aposto. Dois-pontos e outras marcas de pontuação podem sinalizar essa relação, mas não bastam para determiná-la.

Tenho uma expectativa: / que todos participem.
A subordinada explicita qual é a expectativa.
Classificação: subordinada substantiva apositiva.
Verifique: em “É possível que o prazo mude”, qual é o sujeito do verbo “é”?

A oração “que o prazo mude”. Substituindo-a: “Isso é possível”. A subordinada é substantiva subjetiva. “O prazo”, por sua vez, é sujeito de “mude”, dentro da subordinada.

Verifique: em “Nossa certeza é que haverá revisão”, a subordinada completa o nome “certeza”?

Nesse período, a subordinada funciona como predicativo do sujeito “nossa certeza”, ligado pelo verbo “é”. É predicativa. Compare com “Temos certeza de que haverá revisão”, em que a oração completa o nome “certeza” e é completiva nominal.

6. Classificações que exigem comparação

6.1 Subjetiva × predicativa

SubjetivaPredicativa
É importante que você participe.O importante é que você participe.
“Isso é importante”: a subordinada funciona como sujeito.“O importante é isso”: “o importante” é o sujeito; a subordinada é seu predicativo.

A presença de verbo de ligação ocorre nos dois exemplos. Para distinguir, verifique se a estrutura já apresenta outro termo exercendo a função de sujeito.

6.2 Objetiva indireta × completiva nominal

Objetiva indiretaCompletiva nominal
Necessito de que você participe.Tenho necessidade de que você participe.
Completa o verbo “necessitar”.Completa o substantivo “necessidade”.

Ambas apresentam preposição. A pergunta decisiva é: o trecho completa um verbo ou um nome?

6.3 Completiva nominal × apositiva

Completiva nominalApositiva
Tenho esperança de que você seja aprovado.Tenho uma esperança: que você seja aprovado.
O complemento preposicionado se liga ao substantivo “esperança”.A oração explicita, por aposição, o conteúdo da expressão “uma esperança”.

Não classifique apenas pela presença de dois-pontos. Em “A professora declarou: ‘A prova começará às oito’”, o trecho citado é conteúdo da declaração; os dois-pontos, por si, não o transformam em aposto.

Verifique: classifique “que você leia” em “Meu pedido é que você leia” e em “É necessário que você leia”.

No primeiro período, é predicativa: “meu pedido” é sujeito e a subordinada é seu predicativo. No segundo, é subjetiva: “que você leia” funciona como sujeito de “é”.

Verifique: “de que o prazo terminou” tem a mesma função em “Lembro-me de que o prazo terminou” e “Tenho consciência de que o prazo terminou”?

Não. No primeiro, completa o verbo “lembrar-se”: objetiva indireta. No segundo, completa o substantivo “consciência”: completiva nominal. A mesma preposição não determina a mesma função.

7. Conjunções integrantes, relativos e “se”

7.1 “Que” integrante × “que” relativo

PeríodoNatureza e funcionamento de “que”
A estudante afirmou que entendeu o texto.Conjunção integrante. Introduz a substantiva objetiva direta e não exerce função sintática dentro dela.
A estudante leu o texto que o professor indicou.Pronome relativo. Retoma “texto” e exerce função de objeto direto de “indicou”: o professor indicou o texto. A oração é subordinada adjetiva restritiva.

Para distinguir, procure um antecedente retomado pelo relativo e reconstrua sua função dentro da oração. A mera presença de “que” não torna uma oração substantiva.

7.2 “Se” integrante × “se” condicional

PeríodoAnálise
Não sei se haverá aula.“Se” introduz o conteúdo da dúvida. A oração é substantiva objetiva direta: “Não sei isso”.
Se houver aula, participarei.“Se” estabelece uma condição. A oração é subordinada adverbial condicional.

A conjunção integrante não exerce função de sujeito ou objeto dentro da subordinada. Essa observação não se estende automaticamente aos pronomes interrogativos e relativos.

Verifique: qual é a natureza de “que” em “Tenho certeza de que você compreendeu”?

Conjunção integrante, precedida da preposição exigida pelo nome “certeza”. A oração “de que você compreendeu” é completiva nominal. O substantivo “certeza” não é um antecedente retomado por “que”.

Verifique: em “Não sei se a proposta funciona”, “se” é condicional?

Não. Introduz uma dúvida expressa como interrogativa indireta. A oração inteira funciona como objeto direto de “sei”, por isso é substantiva objetiva direta.

8. Orações desenvolvidas e reduzidas

8.1 Orações desenvolvidas

As substantivas desenvolvidas podem ser introduzidas por conjunção integrante ou, nas interrogativas indiretas, por pronome ou advérbio interrogativo. Nos exemplos desta etapa, o verbo apresenta forma finita.

Introduzidas por conjunção integrante

Espero que a turma participe.
Não sei se haverá revisão.

Interrogativas indiretas desenvolvidas

Também pertencem às orações desenvolvidas nos exemplos abaixo. Expressam o conteúdo de uma pergunta ou dúvida dentro de outra estrutura e são introduzidas por pronome ou advérbio interrogativo. “Interrogativa indireta” não é uma terceira forma ao lado de “desenvolvida” e “reduzida”.

A coluna de pergunta direta serve apenas para mostrar como o conteúdo interrogativo se incorpora ao período.

Pergunta diretaInterrogativa indiretaClassificação da oração destacada
Quem apresentou o recurso?Não sei quem apresentou o recurso.Substantiva objetiva direta desenvolvida
Onde ocorrerá a prova?Perguntei onde ocorrerá a prova.Substantiva objetiva direta desenvolvida
Qual proposta venceu?Quero saber qual proposta venceu.Substantiva objetiva direta desenvolvida

Duas análises diferentes: em “Não sei quem apresentou o recurso”, a oração “quem apresentou o recurso” é objeto direto de “sei”. Dentro dela, o pronome interrogativo “quem” é sujeito de “apresentou”. Em “Perguntei onde ocorrerá a prova”, “onde” exerce função de adjunto adverbial de lugar na subordinada.

8.2 Orações reduzidas de infinitivo

No percurso escolar básico, as substantivas reduzidas apresentam verbo no infinitivo e não são introduzidas por conjunção integrante. Podem ser precedidas de preposição.

ExemploSubstituiçãoClassificação
É importante revisar o conteúdo.Isso é importante.Subjetiva reduzida de infinitivo
Espero concluir a revisão.Espero isso.Objetiva direta reduzida de infinitivo
Gosto de estudar em grupo.Gosto disso.Objetiva indireta reduzida de infinitivo
Tenho vontade de estudar em grupo.Tenho vontade disso.Completiva nominal reduzida de infinitivo
Meu objetivo é concluir a revisão.Meu objetivo é isso.Predicativa reduzida de infinitivo
Tenho um objetivo: concluir a revisão.O trecho explica “um objetivo”.Apositiva reduzida de infinitivo

Transformação comentada: “É importante revisar o conteúdo” pode ser desenvolvida como “É importante que se revise o conteúdo”. A função subjetiva permanece. Ao desenvolver ou reduzir uma oração, confira se foram preservados o sujeito, o sentido e a regência; a troca de forma não é sempre automática.

Verifique: qual é a função de “quem” e qual é a função da oração inteira em “Perguntei quem corrigiu a prova”?

Na oração subordinada, “quem” é pronome interrogativo e sujeito de “corrigiu”. A oração inteira “quem corrigiu a prova” é objeto direto de “perguntei”, portanto substantiva objetiva direta desenvolvida.

Verifique: a presença de “de” impede que “de estudar em grupo” seja reduzida?

Não. A preposição é compatível com a reduzida de infinitivo. Em “Gosto de estudar em grupo”, a oração completa o verbo “gostar” e é objetiva indireta reduzida de infinitivo.

9. Pontuação, regência e concordância

9.1 Pontuação

RelaçãoExemplo e orientação
Sujeito oracional e predicado“É necessário que todos participem.” Na estrutura básica, não separe a subjetiva do predicado por vírgula.
Verbo e complemento“A professora afirmou que haverá revisão.” Não separe o verbo de seu objeto direto por vírgula.
Nome e complemento“Tenho certeza de que haverá revisão.” Não separe o nome de seu complemento por vírgula.
Aposição“Tenho um desejo: que todos participem.” Os dois-pontos apresentam uma explicitação apositiva neste exemplo.

Essas orientações se referem às estruturas básicas. Intercalações e construções deslocadas exigem análise própria. A pontuação não substitui a identificação da função sintática.

9.2 Regência

Lembro-me de que já estudamos o tema.
Tenho certeza de que haverá revisão.
Estou confiante em que a equipe resolverá o problema.

Preserve a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome na norma-padrão. Ela faz parte da ligação sintática: “de que” não é automaticamente um excesso.

9.3 Concordância e funções de “se”

ExemploAnálise
É necessário que todos participem.A oração subjetiva constitui um sujeito oracional. Nesta estrutura básica, o verbo da principal fica no singular. O plural de “todos” determina “participem” dentro da subordinada, não “é”.
Sabe-se que haverá mudanças.Na análise tradicional, “se” é pronome apassivador e a subordinada é sujeito oracional. Compare: “É sabido que haverá mudanças”.
Precisa-se de que todos colaborem.“Precisar”, neste emprego, é transitivo indireto. “Se” é índice de indeterminação do sujeito; a subordinada é objetiva indireta. O verbo fica na terceira pessoa do singular.

Compare ainda: “Sabem-se os resultados” apresenta sujeito nominal plural; “Sabe-se que os resultados chegaram” apresenta sujeito oracional. O substantivo “resultados” está dentro da subordinada e não comanda a concordância de “sabe”.

Verifique: corrija “É necessário, que todos participem”.

“É necessário que todos participem.” A vírgula separaria indevidamente o sujeito oracional de seu predicado nessa estrutura básica.

Verifique: “se” tem a mesma função em “Não sei se haverá revisão” e “Sabe-se que haverá revisão”?

Não. No primeiro, é conjunção integrante que introduz a subordinada. No segundo, liga-se ao verbo da principal e é pronome apassivador, na análise tradicional. Não confunda os dois empregos.

10. Aprofundamentos e diferenças de referencial

Estude esta etapa depois de dominar as seis classificações básicas. Em provas, observe o comando e o referencial indicado no edital.

10.1 Orações justapostas e discurso direto

Algumas gramáticas tradicionais empregam “justaposta” para uma subordinada sem conectivo introdutório, como em construções de discurso direto: “A professora declarou: ‘A prova começará às oito’”. Nesse tratamento, o conteúdo declarado pode ser analisado como substantiva objetiva direta justaposta.

Outras abordagens tratam a citação direta de maneira diferente. Portanto, a classificação exige explicitar o referencial. Não confunda ausência de conectivo com coordenação automática, nem dois-pontos com oração apositiva obrigatória.

10.2 Agentiva da passiva e relativas livres

A Nomenclatura Gramatical Brasileira enumera seis classes de substantivas e não inclui uma classe específica chamada “agentiva da passiva”. Determinados referenciais, contudo, reconhecem orações com essa função e empregam essa denominação.

A atividade será realizada por quem concluiu a formação.

O segmento “por quem concluiu a formação” exerce função de agente da passiva. Em análises que reconhecem a substantiva agentiva, recebe essa classificação. Outras abordagens descrevem “quem concluiu a formação” como relativa livre, sem antecedente nominal expresso, em um segmento preposicionado que ocupa a função de agente.

Compare a paráfrase: “A atividade será realizada por aqueles que concluíram a formação”. No exemplo original, “quem” tem valor relativo, não de pergunta, e funciona como sujeito de “concluiu”.

Essa distinção mantém separados a função do segmento, a natureza da oração e a terminologia de cada abordagem.

10.3 Ordem das orações e subordinação em níveis

Em “Que a turma participe é importante”, a subjetiva aparece antes do predicado. Em períodos maiores, uma oração pode estar inserida em outra ou conter outras subordinadas. Delimite cada estrutura e identifique a relação local; não suponha que a principal sempre vem primeiro.

[A professora afirmou] [que a turma percebeu [que o prazo terminou]].

“Que a turma percebeu que o prazo terminou” é objeto direto de “afirmou”. Dentro desse trecho, “que o prazo terminou” é objeto direto de “percebeu”. Uma oração subordinada pode funcionar como estrutura principal em relação a outra oração nela inserida.

11. Prática com respostas comentadas

Estas questões são autorais, organizadas para desenvolver habilidades úteis em concursos e vestibulares. Antes de abrir a resposta, delimite o trecho, aplique a substituição quando possível e justifique a função.

1. Classifique “que o prazo terminou” em “A professora percebeu que o prazo terminou”.

Subordinada substantiva objetiva direta. “A professora percebeu isso”: a oração completa o verbo “percebeu” sem preposição exigida.

2. Classifique “que todos colaborem” em “Convém que todos colaborem”.

Subordinada substantiva subjetiva. “Isso convém”: a oração funciona como sujeito de “convém”. Não há oração sem sujeito nesse exemplo.

3. Compare “É certo que haverá revisão” e “O certo é que haverá revisão”.

No primeiro, “que haverá revisão” é subjetiva: “Isso é certo”. No segundo, é predicativa: “o certo” é sujeito e a subordinada é seu predicativo.

4. Compare “Necessito de que você colabore” e “Tenho necessidade de que você colabore”.

No primeiro, objetiva indireta: completa o verbo “necessitar”. No segundo, completiva nominal: completa o substantivo “necessidade”. A preposição está presente nos dois, mas o termo completado muda.

5. Classifique “que todos sejam ouvidos” em “Defendo uma condição: que todos sejam ouvidos”.

Subordinada substantiva apositiva. A oração explicita o conteúdo da expressão “uma condição”. Sua classificação resulta da relação de aposição, não apenas dos dois-pontos.

6. “Que” tem a mesma natureza em “Afirmou que entregou o documento” e “O documento que entregou estava completo”?

Não. No primeiro, é conjunção integrante e introduz a substantiva objetiva direta. No segundo, é pronome relativo, retoma “documento” e funciona como objeto direto de “entregou”; a oração é adjetiva restritiva.

7. Qual é a função de “onde” e da oração destacada em “Perguntei onde ocorrerá a prova”?

“Onde” é advérbio interrogativo e exerce função de adjunto adverbial de lugar dentro da subordinada. A oração “onde ocorrerá a prova” funciona como objeto direto de “perguntei”: substantiva objetiva direta. O valor de lugar de uma palavra não torna automaticamente a oração inteira adverbial.

8. Classifique “revisar o conteúdo” em “É indispensável revisar o conteúdo”.

Subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo. “Isso é indispensável”: o trecho é sujeito de “é”.

9. Reescreva “Lembro-me de que estudamos esse conteúdo” substituindo a subordinada por um pronome.

“Lembro-me disso.” A preposição “de”, exigida pela regência de “lembrar-se”, permanece na contração “disso”. A subordinada é objetiva indireta.

10. Corrija, na estrutura básica: “A professora informou, que haverá revisão”.

“A professora informou que haverá revisão.” Não há vírgula separando o verbo de seu objeto direto.

11. Julgue: em “Sabe-se que os estudantes chegaram”, o verbo “sabe” deve ir ao plural por causa de “os estudantes”.

Errado. Na análise tradicional, o sujeito de “sabe” é a oração inteira “que os estudantes chegaram”. “Os estudantes” é sujeito de “chegaram”, dentro da subordinada. Mantém-se “Sabe-se que os estudantes chegaram”.

12. Identifique a oração que completa “percebeu”: “A professora afirmou que a turma percebeu que o prazo terminou”.

“Que o prazo terminou” completa “percebeu” e é substantiva objetiva direta. Já “que a turma percebeu que o prazo terminou” completa “afirmou”. Analise a estrutura em níveis.

13. Julgue: toda oração iniciada por “que” é substantiva.

Errado. “Que” pode ser conjunção integrante, pronome relativo ou integrar outras construções. A classificação depende da relação sintática e do contexto.

14. Produção: escreva dois períodos com “de que”, um com objetiva indireta e outro com completiva nominal.

Possibilidades: “Lembro-me de que a prova ocorrerá amanhã” (objetiva indireta, complemento de “lembrar-se”); “Tenho certeza de que a prova ocorrerá amanhã” (completiva nominal, complemento de “certeza”). A justificativa deve identificar o verbo ou o nome completado.

12. Síntese e autoavaliação

  • Substantiva: a oração inteira ocupa uma função nominal.
  • Subjetiva: sujeito.
  • Objetiva direta ou indireta: complemento de verbo, conforme a regência.
  • Completiva nominal: complemento de nome.
  • Predicativa: predicativo do sujeito.
  • Apositiva: aposto.
  • Procedimento: delimitar, substituir quando possível, identificar a função e justificar.

Autoavaliação: consigo distinguir a função da oração inteira da função de uma palavra dentro dela? Consigo explicar qual verbo ou nome recebe o complemento? Consigo preservar a regência em uma reescrita? Consigo analisar um exemplo com ordem diferente da habitual?

Referências e enquadramento gramatical

O percurso básico utiliza a nomenclatura escolar tradicional. A agentiva da passiva, as relativas livres e as construções justapostas aparecem como aprofundamentos com diferenças de tratamento entre referenciais.

Os livros constituem referências de aprofundamento coerentes com a bibliografia do site. Os exemplos e as atividades desta página são autorais; não se apresentam como questões já aplicadas nem como citações literais desses livros.