Sintaxe — Orações Subordinadas Substantivas
Plataforma de Estudo · Teoria e prática orientada
1. Objetivos e conhecimentos iniciais
Este percurso foi organizado para estudantes, vestibulandos e concursandos. Ao final, você deverá identificar uma oração substantiva, explicar sua função, distinguir classificações próximas e analisar pontuação, regência e concordância.
Antes de começar: oração é uma estrutura organizada em torno de um verbo ou de uma locução verbal. Em “A turma vai estudar”, “vai estudar” é uma locução verbal e organiza uma oração. Em “Espero que a turma estude”, “espero” e “estude” organizam duas orações.
Nas etapas iniciais, trabalhe os exemplos básicos. As construções de análise mais complexa aparecem em blocos de aprofundamento.
Verifique: quantas orações há em “Espero que você consiga resolver a questão”?
Duas, no tratamento escolar usual deste exemplo: “Espero” e “que você consiga resolver a questão”. Na segunda, “consiga resolver” funciona como locução verbal. Não conte automaticamente cada forma verbal como uma oração diferente.
2. De uma expressão nominal a uma oração
| Período | Elemento em destaque | Função |
|---|---|---|
| Desejo sua aprovação. | Expressão nominal | Objeto direto |
| Desejo que você seja aprovado. | Oração | Objeto direto |
Nos dois períodos, o trecho destacado responde pelo complemento do verbo “desejar”. No segundo, esse complemento apresenta um núcleo verbal próprio: “seja aprovado”.
Oração subordinada substantiva é a oração que exerce uma função sintática também desempenhada por um substantivo ou uma expressão nominal. Ela pode funcionar, por exemplo, como sujeito, objeto direto ou complemento nominal.
Oração principal: “Desejo”.
Oração subordinada: “que você seja aprovado”.
Função da subordinada: objeto direto de “desejo”.
Classificação: oração subordinada substantiva objetiva direta.
A subordinação é uma relação sintática: a oração subordinada ocupa uma função na estrutura a que se liga. Evite usar apenas “sentido incompleto” para reconhecê-la.
Verifique: por que “que a turma participe”, em “Espero que a turma participe”, é substantiva?
Porque a oração inteira funciona como objeto direto de “espero”, função que uma expressão nominal também pode exercer: “Espero a participação da turma”. A classificação depende da função, não apenas da presença de “que”.
3. Revisão das funções sintáticas
Compare a função da expressão nominal com a da oração. Muda a forma do termo, mas a função se mantém nos pares abaixo.
| Função | Expressão nominal | Oração na mesma função |
|---|---|---|
| Sujeito | Sua participação é importante. | Que você participe é importante. |
| Objeto direto | Espero sua participação. | Espero que você participe. |
| Objeto indireto | Necessito de sua participação. | Necessito de que você participe. |
| Complemento nominal | Tenho necessidade de sua participação. | Tenho necessidade de que você participe. |
| Predicativo do sujeito | Meu desejo é sua participação. | Meu desejo é que você participe. |
| Aposto | Desejo uma coisa: sua participação. | Desejo uma coisa: que você participe. |
Objeto indireto completa um verbo com preposição exigida pela regência. Complemento nominal completa um nome: substantivo, adjetivo ou advérbio. Predicativo do sujeito atribui uma identificação, estado ou propriedade ao sujeito. Aposto explica ou especifica um termo.
Verifique: em “Tenho certeza da aprovação”, “da aprovação” completa um verbo ou um nome?
Completa o substantivo “certeza”, por isso funciona como complemento nominal. Esse ponto será essencial quando o complemento aparecer na forma de oração.
4. Um método para reconhecer e classificar
- Localize os núcleos verbais e delimite as orações.
- Identifique o trecho subordinado, incluindo a preposição que o introduz, quando houver.
- Experimente substituir o trecho por “isso”, “disso”, “nisso” ou outra forma exigida pela estrutura.
- Analise a função do substituto: sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
- Classifique a oração e justifique com base nessa função.
| Período | Substituição | Análise |
|---|---|---|
| É importante que você revise. | Isso é importante. | “Isso” funciona como sujeito: oração subjetiva. |
| Espero que você revise. | Espero isso. | “Isso” funciona como objeto direto: oração objetiva direta. |
| Necessito de que você revise. | Necessito disso. | “Disso” completa o verbo “necessitar”: oração objetiva indireta. |
| Tenho necessidade de que você revise. | Tenho necessidade disso. | “Disso” completa o nome “necessidade”: oração completiva nominal. |
Limite do teste: a substituição ajuda, mas não resolve sozinha a classificação. É preciso analisar a função que o trecho ocupa. Preserve a preposição e use exemplos de leitura clara; em estruturas mais complexas, o contexto e o referencial gramatical também importam.
Verifique: em “Lembro-me de que estudamos esse assunto”, a substituição adequada é “lembro-me isso” ou “lembro-me disso”?
“Lembro-me disso”. A forma pronominal “lembrar-se” exige “de”. Apagar a preposição produziria uma estrutura inadequada e esconderia a função de objeto indireto.
5. As seis classificações do percurso básico
O percurso básico adota as seis classes usuais da nomenclatura escolar. A função sintática da oração inteira determina a classificação.
| Classificação | Função | Exemplo |
|---|---|---|
| Subjetiva | Sujeito | É necessário que todos colaborem. |
| Objetiva direta | Objeto direto | A professora informou que haverá revisão. |
| Objetiva indireta | Objeto indireto | Lembro-me de que já estudamos o tema. |
| Completiva nominal | Complemento nominal | Tenho certeza de que haverá revisão. |
| Predicativa | Predicativo do sujeito | Minha expectativa é que todos participem. |
| Apositiva | Aposto | Tenho uma expectativa: que todos participem. |
5.1 Subjetiva
A oração subordinada exerce função de sujeito do verbo da oração principal. O período tem sujeito, expresso por uma oração; não se trata, por isso, de oração sem sujeito.
Substituição: isso é necessário.
“Que todos colaborem” é o sujeito de “é”.
Classificação: subordinada substantiva subjetiva.
Também aparece em estruturas como “Convém que todos colaborem”, “É sabido que haverá revisão” e “Sabe-se que haverá revisão”. Reconheça a função, sem depender de uma única fórmula.
5.2 Objetiva direta
A oração exerce função de objeto direto do verbo da principal.
A professora informou isso.
Sujeito da principal: “a professora”.
“Que haverá revisão” completa “informou” sem preposição exigida.
Classificação: subordinada substantiva objetiva direta.
5.3 Objetiva indireta
A oração completa um verbo com preposição exigida por sua regência.
Lembro-me disso.
“Lembrar-se” rege “de”.
Classificação: subordinada substantiva objetiva indireta.
5.4 Completiva nominal
A oração completa o sentido de um nome: substantivo, adjetivo ou advérbio.
Tenho certeza disso.
O trecho completa o substantivo “certeza”.
Classificação: subordinada substantiva completiva nominal.
Outro exemplo: “Estou confiante em que a equipe resolverá o problema”. A oração completa o adjetivo “confiante”.
5.5 Predicativa
A oração exerce função de predicativo do sujeito. No padrão básico, a principal apresenta sujeito e verbo de ligação.
Minha expectativa é isso.
Sujeito: “minha expectativa”. Verbo de ligação: “é”.
A subordinada identifica o conteúdo da expectativa.
Classificação: subordinada substantiva predicativa.
5.6 Apositiva
A oração explica ou especifica um termo anterior, exercendo função de aposto. Dois-pontos e outras marcas de pontuação podem sinalizar essa relação, mas não bastam para determiná-la.
A subordinada explicita qual é a expectativa.
Classificação: subordinada substantiva apositiva.
Verifique: em “É possível que o prazo mude”, qual é o sujeito do verbo “é”?
A oração “que o prazo mude”. Substituindo-a: “Isso é possível”. A subordinada é substantiva subjetiva. “O prazo”, por sua vez, é sujeito de “mude”, dentro da subordinada.
Verifique: em “Nossa certeza é que haverá revisão”, a subordinada completa o nome “certeza”?
Nesse período, a subordinada funciona como predicativo do sujeito “nossa certeza”, ligado pelo verbo “é”. É predicativa. Compare com “Temos certeza de que haverá revisão”, em que a oração completa o nome “certeza” e é completiva nominal.
6. Classificações que exigem comparação
6.1 Subjetiva × predicativa
| Subjetiva | Predicativa |
|---|---|
| É importante que você participe. | O importante é que você participe. |
| “Isso é importante”: a subordinada funciona como sujeito. | “O importante é isso”: “o importante” é o sujeito; a subordinada é seu predicativo. |
A presença de verbo de ligação ocorre nos dois exemplos. Para distinguir, verifique se a estrutura já apresenta outro termo exercendo a função de sujeito.
6.2 Objetiva indireta × completiva nominal
| Objetiva indireta | Completiva nominal |
|---|---|
| Necessito de que você participe. | Tenho necessidade de que você participe. |
| Completa o verbo “necessitar”. | Completa o substantivo “necessidade”. |
Ambas apresentam preposição. A pergunta decisiva é: o trecho completa um verbo ou um nome?
6.3 Completiva nominal × apositiva
| Completiva nominal | Apositiva |
|---|---|
| Tenho esperança de que você seja aprovado. | Tenho uma esperança: que você seja aprovado. |
| O complemento preposicionado se liga ao substantivo “esperança”. | A oração explicita, por aposição, o conteúdo da expressão “uma esperança”. |
Não classifique apenas pela presença de dois-pontos. Em “A professora declarou: ‘A prova começará às oito’”, o trecho citado é conteúdo da declaração; os dois-pontos, por si, não o transformam em aposto.
Verifique: classifique “que você leia” em “Meu pedido é que você leia” e em “É necessário que você leia”.
No primeiro período, é predicativa: “meu pedido” é sujeito e a subordinada é seu predicativo. No segundo, é subjetiva: “que você leia” funciona como sujeito de “é”.
Verifique: “de que o prazo terminou” tem a mesma função em “Lembro-me de que o prazo terminou” e “Tenho consciência de que o prazo terminou”?
Não. No primeiro, completa o verbo “lembrar-se”: objetiva indireta. No segundo, completa o substantivo “consciência”: completiva nominal. A mesma preposição não determina a mesma função.
7. Conjunções integrantes, relativos e “se”
7.1 “Que” integrante × “que” relativo
| Período | Natureza e funcionamento de “que” |
|---|---|
| A estudante afirmou que entendeu o texto. | Conjunção integrante. Introduz a substantiva objetiva direta e não exerce função sintática dentro dela. |
| A estudante leu o texto que o professor indicou. | Pronome relativo. Retoma “texto” e exerce função de objeto direto de “indicou”: o professor indicou o texto. A oração é subordinada adjetiva restritiva. |
Para distinguir, procure um antecedente retomado pelo relativo e reconstrua sua função dentro da oração. A mera presença de “que” não torna uma oração substantiva.
7.2 “Se” integrante × “se” condicional
| Período | Análise |
|---|---|
| Não sei se haverá aula. | “Se” introduz o conteúdo da dúvida. A oração é substantiva objetiva direta: “Não sei isso”. |
| Se houver aula, participarei. | “Se” estabelece uma condição. A oração é subordinada adverbial condicional. |
A conjunção integrante não exerce função de sujeito ou objeto dentro da subordinada. Essa observação não se estende automaticamente aos pronomes interrogativos e relativos.
Verifique: qual é a natureza de “que” em “Tenho certeza de que você compreendeu”?
Conjunção integrante, precedida da preposição exigida pelo nome “certeza”. A oração “de que você compreendeu” é completiva nominal. O substantivo “certeza” não é um antecedente retomado por “que”.
Verifique: em “Não sei se a proposta funciona”, “se” é condicional?
Não. Introduz uma dúvida expressa como interrogativa indireta. A oração inteira funciona como objeto direto de “sei”, por isso é substantiva objetiva direta.
8. Orações desenvolvidas e reduzidas
8.1 Orações desenvolvidas
As substantivas desenvolvidas podem ser introduzidas por conjunção integrante ou, nas interrogativas indiretas, por pronome ou advérbio interrogativo. Nos exemplos desta etapa, o verbo apresenta forma finita.
Introduzidas por conjunção integrante
Não sei se haverá revisão.
Interrogativas indiretas desenvolvidas
Também pertencem às orações desenvolvidas nos exemplos abaixo. Expressam o conteúdo de uma pergunta ou dúvida dentro de outra estrutura e são introduzidas por pronome ou advérbio interrogativo. “Interrogativa indireta” não é uma terceira forma ao lado de “desenvolvida” e “reduzida”.
A coluna de pergunta direta serve apenas para mostrar como o conteúdo interrogativo se incorpora ao período.
| Pergunta direta | Interrogativa indireta | Classificação da oração destacada |
|---|---|---|
| Quem apresentou o recurso? | Não sei quem apresentou o recurso. | Substantiva objetiva direta desenvolvida |
| Onde ocorrerá a prova? | Perguntei onde ocorrerá a prova. | Substantiva objetiva direta desenvolvida |
| Qual proposta venceu? | Quero saber qual proposta venceu. | Substantiva objetiva direta desenvolvida |
Duas análises diferentes: em “Não sei quem apresentou o recurso”, a oração “quem apresentou o recurso” é objeto direto de “sei”. Dentro dela, o pronome interrogativo “quem” é sujeito de “apresentou”. Em “Perguntei onde ocorrerá a prova”, “onde” exerce função de adjunto adverbial de lugar na subordinada.
8.2 Orações reduzidas de infinitivo
No percurso escolar básico, as substantivas reduzidas apresentam verbo no infinitivo e não são introduzidas por conjunção integrante. Podem ser precedidas de preposição.
| Exemplo | Substituição | Classificação |
|---|---|---|
| É importante revisar o conteúdo. | Isso é importante. | Subjetiva reduzida de infinitivo |
| Espero concluir a revisão. | Espero isso. | Objetiva direta reduzida de infinitivo |
| Gosto de estudar em grupo. | Gosto disso. | Objetiva indireta reduzida de infinitivo |
| Tenho vontade de estudar em grupo. | Tenho vontade disso. | Completiva nominal reduzida de infinitivo |
| Meu objetivo é concluir a revisão. | Meu objetivo é isso. | Predicativa reduzida de infinitivo |
| Tenho um objetivo: concluir a revisão. | O trecho explica “um objetivo”. | Apositiva reduzida de infinitivo |
Transformação comentada: “É importante revisar o conteúdo” pode ser desenvolvida como “É importante que se revise o conteúdo”. A função subjetiva permanece. Ao desenvolver ou reduzir uma oração, confira se foram preservados o sujeito, o sentido e a regência; a troca de forma não é sempre automática.
Verifique: qual é a função de “quem” e qual é a função da oração inteira em “Perguntei quem corrigiu a prova”?
Na oração subordinada, “quem” é pronome interrogativo e sujeito de “corrigiu”. A oração inteira “quem corrigiu a prova” é objeto direto de “perguntei”, portanto substantiva objetiva direta desenvolvida.
Verifique: a presença de “de” impede que “de estudar em grupo” seja reduzida?
Não. A preposição é compatível com a reduzida de infinitivo. Em “Gosto de estudar em grupo”, a oração completa o verbo “gostar” e é objetiva indireta reduzida de infinitivo.
9. Pontuação, regência e concordância
9.1 Pontuação
| Relação | Exemplo e orientação |
|---|---|
| Sujeito oracional e predicado | “É necessário que todos participem.” Na estrutura básica, não separe a subjetiva do predicado por vírgula. |
| Verbo e complemento | “A professora afirmou que haverá revisão.” Não separe o verbo de seu objeto direto por vírgula. |
| Nome e complemento | “Tenho certeza de que haverá revisão.” Não separe o nome de seu complemento por vírgula. |
| Aposição | “Tenho um desejo: que todos participem.” Os dois-pontos apresentam uma explicitação apositiva neste exemplo. |
Essas orientações se referem às estruturas básicas. Intercalações e construções deslocadas exigem análise própria. A pontuação não substitui a identificação da função sintática.
9.2 Regência
Tenho certeza de que haverá revisão.
Estou confiante em que a equipe resolverá o problema.
Preserve a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome na norma-padrão. Ela faz parte da ligação sintática: “de que” não é automaticamente um excesso.
9.3 Concordância e funções de “se”
| Exemplo | Análise |
|---|---|
| É necessário que todos participem. | A oração subjetiva constitui um sujeito oracional. Nesta estrutura básica, o verbo da principal fica no singular. O plural de “todos” determina “participem” dentro da subordinada, não “é”. |
| Sabe-se que haverá mudanças. | Na análise tradicional, “se” é pronome apassivador e a subordinada é sujeito oracional. Compare: “É sabido que haverá mudanças”. |
| Precisa-se de que todos colaborem. | “Precisar”, neste emprego, é transitivo indireto. “Se” é índice de indeterminação do sujeito; a subordinada é objetiva indireta. O verbo fica na terceira pessoa do singular. |
Compare ainda: “Sabem-se os resultados” apresenta sujeito nominal plural; “Sabe-se que os resultados chegaram” apresenta sujeito oracional. O substantivo “resultados” está dentro da subordinada e não comanda a concordância de “sabe”.
Verifique: corrija “É necessário, que todos participem”.
“É necessário que todos participem.” A vírgula separaria indevidamente o sujeito oracional de seu predicado nessa estrutura básica.
Verifique: “se” tem a mesma função em “Não sei se haverá revisão” e “Sabe-se que haverá revisão”?
Não. No primeiro, é conjunção integrante que introduz a subordinada. No segundo, liga-se ao verbo da principal e é pronome apassivador, na análise tradicional. Não confunda os dois empregos.
10. Aprofundamentos e diferenças de referencial
Estude esta etapa depois de dominar as seis classificações básicas. Em provas, observe o comando e o referencial indicado no edital.
10.1 Orações justapostas e discurso direto
Algumas gramáticas tradicionais empregam “justaposta” para uma subordinada sem conectivo introdutório, como em construções de discurso direto: “A professora declarou: ‘A prova começará às oito’”. Nesse tratamento, o conteúdo declarado pode ser analisado como substantiva objetiva direta justaposta.
Outras abordagens tratam a citação direta de maneira diferente. Portanto, a classificação exige explicitar o referencial. Não confunda ausência de conectivo com coordenação automática, nem dois-pontos com oração apositiva obrigatória.
10.2 Agentiva da passiva e relativas livres
A Nomenclatura Gramatical Brasileira enumera seis classes de substantivas e não inclui uma classe específica chamada “agentiva da passiva”. Determinados referenciais, contudo, reconhecem orações com essa função e empregam essa denominação.
O segmento “por quem concluiu a formação” exerce função de agente da passiva. Em análises que reconhecem a substantiva agentiva, recebe essa classificação. Outras abordagens descrevem “quem concluiu a formação” como relativa livre, sem antecedente nominal expresso, em um segmento preposicionado que ocupa a função de agente.
Compare a paráfrase: “A atividade será realizada por aqueles que concluíram a formação”. No exemplo original, “quem” tem valor relativo, não de pergunta, e funciona como sujeito de “concluiu”.
Essa distinção mantém separados a função do segmento, a natureza da oração e a terminologia de cada abordagem.
10.3 Ordem das orações e subordinação em níveis
Em “Que a turma participe é importante”, a subjetiva aparece antes do predicado. Em períodos maiores, uma oração pode estar inserida em outra ou conter outras subordinadas. Delimite cada estrutura e identifique a relação local; não suponha que a principal sempre vem primeiro.
“Que a turma percebeu que o prazo terminou” é objeto direto de “afirmou”. Dentro desse trecho, “que o prazo terminou” é objeto direto de “percebeu”. Uma oração subordinada pode funcionar como estrutura principal em relação a outra oração nela inserida.
11. Prática com respostas comentadas
Estas questões são autorais, organizadas para desenvolver habilidades úteis em concursos e vestibulares. Antes de abrir a resposta, delimite o trecho, aplique a substituição quando possível e justifique a função.
1. Classifique “que o prazo terminou” em “A professora percebeu que o prazo terminou”.
Subordinada substantiva objetiva direta. “A professora percebeu isso”: a oração completa o verbo “percebeu” sem preposição exigida.
2. Classifique “que todos colaborem” em “Convém que todos colaborem”.
Subordinada substantiva subjetiva. “Isso convém”: a oração funciona como sujeito de “convém”. Não há oração sem sujeito nesse exemplo.
3. Compare “É certo que haverá revisão” e “O certo é que haverá revisão”.
No primeiro, “que haverá revisão” é subjetiva: “Isso é certo”. No segundo, é predicativa: “o certo” é sujeito e a subordinada é seu predicativo.
4. Compare “Necessito de que você colabore” e “Tenho necessidade de que você colabore”.
No primeiro, objetiva indireta: completa o verbo “necessitar”. No segundo, completiva nominal: completa o substantivo “necessidade”. A preposição está presente nos dois, mas o termo completado muda.
5. Classifique “que todos sejam ouvidos” em “Defendo uma condição: que todos sejam ouvidos”.
Subordinada substantiva apositiva. A oração explicita o conteúdo da expressão “uma condição”. Sua classificação resulta da relação de aposição, não apenas dos dois-pontos.
6. “Que” tem a mesma natureza em “Afirmou que entregou o documento” e “O documento que entregou estava completo”?
Não. No primeiro, é conjunção integrante e introduz a substantiva objetiva direta. No segundo, é pronome relativo, retoma “documento” e funciona como objeto direto de “entregou”; a oração é adjetiva restritiva.
7. Qual é a função de “onde” e da oração destacada em “Perguntei onde ocorrerá a prova”?
“Onde” é advérbio interrogativo e exerce função de adjunto adverbial de lugar dentro da subordinada. A oração “onde ocorrerá a prova” funciona como objeto direto de “perguntei”: substantiva objetiva direta. O valor de lugar de uma palavra não torna automaticamente a oração inteira adverbial.
8. Classifique “revisar o conteúdo” em “É indispensável revisar o conteúdo”.
Subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo. “Isso é indispensável”: o trecho é sujeito de “é”.
9. Reescreva “Lembro-me de que estudamos esse conteúdo” substituindo a subordinada por um pronome.
“Lembro-me disso.” A preposição “de”, exigida pela regência de “lembrar-se”, permanece na contração “disso”. A subordinada é objetiva indireta.
10. Corrija, na estrutura básica: “A professora informou, que haverá revisão”.
“A professora informou que haverá revisão.” Não há vírgula separando o verbo de seu objeto direto.
11. Julgue: em “Sabe-se que os estudantes chegaram”, o verbo “sabe” deve ir ao plural por causa de “os estudantes”.
Errado. Na análise tradicional, o sujeito de “sabe” é a oração inteira “que os estudantes chegaram”. “Os estudantes” é sujeito de “chegaram”, dentro da subordinada. Mantém-se “Sabe-se que os estudantes chegaram”.
12. Identifique a oração que completa “percebeu”: “A professora afirmou que a turma percebeu que o prazo terminou”.
“Que o prazo terminou” completa “percebeu” e é substantiva objetiva direta. Já “que a turma percebeu que o prazo terminou” completa “afirmou”. Analise a estrutura em níveis.
13. Julgue: toda oração iniciada por “que” é substantiva.
Errado. “Que” pode ser conjunção integrante, pronome relativo ou integrar outras construções. A classificação depende da relação sintática e do contexto.
14. Produção: escreva dois períodos com “de que”, um com objetiva indireta e outro com completiva nominal.
Possibilidades: “Lembro-me de que a prova ocorrerá amanhã” (objetiva indireta, complemento de “lembrar-se”); “Tenho certeza de que a prova ocorrerá amanhã” (completiva nominal, complemento de “certeza”). A justificativa deve identificar o verbo ou o nome completado.
12. Síntese e autoavaliação
- Substantiva: a oração inteira ocupa uma função nominal.
- Subjetiva: sujeito.
- Objetiva direta ou indireta: complemento de verbo, conforme a regência.
- Completiva nominal: complemento de nome.
- Predicativa: predicativo do sujeito.
- Apositiva: aposto.
- Procedimento: delimitar, substituir quando possível, identificar a função e justificar.
Autoavaliação: consigo distinguir a função da oração inteira da função de uma palavra dentro dela? Consigo explicar qual verbo ou nome recebe o complemento? Consigo preservar a regência em uma reescrita? Consigo analisar um exemplo com ordem diferente da habitual?
Referências e enquadramento gramatical
O percurso básico utiliza a nomenclatura escolar tradicional. A agentiva da passiva, as relativas livres e as construções justapostas aparecem como aprofundamentos com diferenças de tratamento entre referenciais.
- Nomenclatura Gramatical Brasileira, reproduzida no Portal da Língua Portuguesa: classificação básica das substantivas.
- Anais do SIMELP, disponibilizados pela USP: discussão de relativas livres, especialmente p. 892 da publicação (p. 26 do arquivo).
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
- ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 32. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.
- KURY, Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática. 2. ed. São Paulo: Ática, 1986.
Os livros constituem referências de aprofundamento coerentes com a bibliografia do site. Os exemplos e as atividades desta página são autorais; não se apresentam como questões já aplicadas nem como citações literais desses livros.