Professor

Jailton Cristalino Pereira

  • Língua Portuguesa

Sintaxe — Orações Subordinadas Adjetivas

Plataforma de Estudo · Teoria e prática orientada

1. Objetivos e conceito

Este percurso destina-se a estudantes, vestibulandos e concursandos. Ao final, você deverá reconhecer o antecedente, distinguir restrição e explicação, analisar a função do relativo e revisar pontuação, regência e reescrita.

PeríodoElemento destacadoFuncionamento
Os estudantes dedicados revisaram o conteúdo.AdjetivoCaracteriza o substantivo “estudantes”.
Os estudantes que se dedicaram revisaram o conteúdo.OraçãoModifica o substantivo “estudantes”.

Oração subordinada adjetiva modifica um termo de valor nominal, normalmente um substantivo ou pronome, que funciona como seu antecedente. No tratamento escolar usual, exerce função de adjunto adnominal.

Na forma desenvolvida, é introduzida por elemento relativo. “Que se dedicaram” apresenta um núcleo verbal próprio: “dedicaram”.

Verifique: qual é o antecedente de “que chegaram cedo” em “Os candidatos que chegaram cedo aguardaram no corredor”?

“Os candidatos”. A subordinada modifica esse termo, especificando o grupo a que se refere a informação da principal.

2. Como reconhecer e analisar

  1. Localize os núcleos verbais e delimite a subordinada.
  2. Identifique o elemento relativo e seu antecedente.
  3. Explique a relação: delimitação da referência ou informação suplementar?
  4. Classifique a oração como restritiva ou explicativa e, quando necessário, desenvolvida ou reduzida.
  5. Analise separadamente a função do relativo dentro da subordinada.
[Os candidatos [que chegaram cedo] aguardaram no corredor].

Oração principal: “Os candidatos aguardaram no corredor”.
Subordinada: “que chegaram cedo”.
Antecedente: “os candidatos”.
Relação: a oração delimita quais candidatos entram na informação.
Classificação: subordinada adjetiva restritiva desenvolvida.
Função de “que”: sujeito de “chegaram”, pois “os candidatos chegaram cedo”.

A principal pode ser interrompida pela subordinada. Retirar provisoriamente o trecho ajuda a enxergar a estrutura, mas não prova que sua retirada preserve o sentido.

Verifique: “que chegaram cedo” funciona como sujeito de “aguardaram”?

Não. O sujeito de “aguardaram” é o grupo nominal “os candidatos que chegaram cedo”. Dentro desse grupo, a oração modifica “candidatos”. Já “que” é sujeito de “chegaram” na subordinada. A oração inteira e o pronome têm funções distintas.

3. Restritivas e explicativas

3.1 Restritiva: delimita a referência

Os candidatos que entregaram os documentos poderão entrar.

A condição descrita pela subordinada seleciona os candidatos aos quais se aplica a autorização. A oração integra a identificação do grupo e, na estrutura básica, não vem isolada por vírgulas.

3.2 Explicativa: acrescenta informação suplementar

Os candidatos, que entregaram os documentos, poderão entrar.

O enunciado apresenta os candidatos como um grupo já identificado e acrescenta a informação de que entregaram os documentos. A subordinada não seleciona um subgrupo para a autorização. Na estrutura básica, fica isolada por vírgulas.

RestritivaExplicativa
Integra a delimitação da referência do antecedente.Acrescenta uma informação a um referente apresentado como identificado.
Sem vírgulas de isolamento na estrutura básica.Isolada por vírgulas na estrutura básica.
No exemplo, a autorização se aplica aos que entregaram os documentos.No exemplo, a entrega é apresentada como informação sobre o grupo referido.

Dois cuidados: a explicativa pode trazer informação nova; ela não exige que o leitor já conheça o conteúdo. A restritiva não prova, sozinha, que existam pessoas excluídas: “Os candidatos que se inscreverem até sexta poderão participar” estabelece um critério, sem afirmar que alguém deixará de cumpri-lo.

A oposição “parte × todo” ajuda em certos exemplos de grupos, mas não é definição universal. A explicativa pode modificar um referente singular: “A diretora, que chegou ontem, abrirá a reunião”.

Verifique: “A diretora, que chegou ontem, abrirá a reunião” exige que o leitor soubesse da chegada?

Não. A chegada pode ser informação nova. A subordinada é explicativa porque acrescenta informação suplementar sobre a diretora, apresentada como referente identificado.

Verifique: “Os candidatos que acertarem todas as questões receberão o certificado” prova que alguns errarão?

Não. A restritiva estabelece um critério de identificação dos candidatos que receberão o certificado. Não afirma necessariamente a existência de candidatos que deixarão de atender ao critério.

4. Pontuação e efeitos de sentido

ExemploAnálise
Os livros que estão na estante pertencem à escola.Restritiva: a localização delimita os livros aos quais se aplica a informação.
Os livros, que estão na estante, pertencem à escola.Explicativa: os livros referidos são apresentados como localizados na estante; a oração acrescenta essa informação.
Visitei a biblioteca, que foi reformada recentemente.Explicativa ao final: a vírgula abre o trecho e o ponto encerra o período.

Intercalada: “A diretora, que chegou ontem, abrirá a reunião”. As duas vírgulas delimitam a explicativa. Não deixe somente a primeira vírgula.

Não use a pausa da fala como único critério. Antes de pontuar, decida se a oração participa da identificação do referente ou acrescenta uma informação suplementar.

Nomes próprios e expressões possessivas não resolvem a classificação automaticamente. “O João que conheci na escola” admite uma relativa restritiva para delimitar o referente ou uma perspectiva sobre ele. O contexto importa.

Verifique: inserir vírgulas em “Os estudantes que fizeram a revisão compreenderam o tema” conserva necessariamente o sentido?

Não. Sem isolamento, a oração delimita os estudantes aos quais se aplica a compreensão. Com isolamento, a revisão é apresentada como informação sobre o grupo referido. A reescrita pode mudar o alcance da afirmação.

Verifique: pontue “A professora que chegou ontem abrirá a reunião”, supondo que a professora já esteja identificada e a chegada seja informação suplementar.

“A professora, que chegou ontem, abrirá a reunião.” As duas vírgulas isolam a explicativa intercalada. Se a chegada fosse o critério para identificar qual professora, a leitura seria restritiva, sem esse isolamento.

5. Elementos relativos e antecedentes

O relativo articula a subordinada ao antecedente e exerce função sintática dentro dela. “Onde”, em algumas descrições, recebe a denominação de advérbio relativo; a distinção de nome não altera a necessidade de analisar sua função.

ElementoEmprego básicoExemplo
quePessoas ou coisas; invariávelO texto que li é claro.
o qual, a qual, os quais, as quaisConcorda com o antecedente; útil em determinadas reescritasO tema sobre o qual conversamos é relevante.
quemCom antecedente expresso, refere-se a pessoa ou ser personificado e aparece normalmente precedido de preposiçãoA professora a quem entreguei o trabalho respondeu.
cujo, cuja, cujos, cujasRelação possessiva ou associativa; concorda com o substantivo seguinteO autor cuja obra li participará.
ondeLugar; em que / no qual, no emprego locativoA biblioteca onde estudo abre cedo.
quanto, quantos, quantasRetoma termos como tudo, todos e tanto, conforme a construçãoRecebi tudo quanto solicitei.

O antecedente pode ser um pronome substantivo. Em “Aqueles que chegaram cedo entraram primeiro”, “aqueles” é pronome demonstrativo e antecedente de “que”.

A troca por “o qual” é uma pista, não um teste universal. Depende da construção e pode soar pouco natural. Não substitua “cujo” por “o qual” sem reconstruir a relação possessiva.

Verifique: em “Aquelas que participaram receberam o material”, qual é o antecedente de “que”?

O pronome demonstrativo “aquelas”. O antecedente de uma oração adjetiva não precisa ser um substantivo expresso.

Verifique: em “Recebi tudo quanto solicitei”, “quanto” exerce função dentro da subordinada?

Sim. Retoma “tudo” e funciona como objeto direto de “solicitei”: “solicitei tudo”. A oração modifica o antecedente “tudo”.

6. Função da oração × função do relativo

A oração adjetiva modifica seu antecedente. O relativo, por sua vez, ocupa uma função dentro da subordinada. Para identificá-la, reconstrua a subordinada como uma oração independente, usando o antecedente no lugar do relativo e preservando as preposições.

O livro que a estudante leu está na mesa.
Reconstrução: a estudante leu o livro.
“Que”: objeto direto de “leu”.
“Que a estudante leu”: oração adjetiva restritiva desenvolvida.
Função do relativoExemploReconstrução
SujeitoOs candidatos que chegaram aguardam.Os candidatos chegaram.
Objeto diretoO livro que li é claro.Li o livro.
Objeto indireto, na nomenclatura escolar usualO assunto de que gosto é interessante.Gosto do assunto.
Predicativo do sujeitoO professor dedicado que ele sempre foi merece reconhecimento.Ele sempre foi um professor dedicado.
Complemento nominalA aprovação de que tenho certeza depende do resultado.Tenho certeza da aprovação.
Adjunto adnominalO autor cuja obra li participará.Li a obra do autor. “Cuja” modifica “obra”.
Adjunto adverbial de lugarA cidade onde nasci cresceu.Nasci na cidade.
Agente da passivaO profissional por quem o projeto foi elaborado chegou.O projeto foi elaborado pelo profissional.

Alguns referenciais distinguem complemento relativo de objeto indireto para certos complementos verbais preposicionados. O quadro utiliza a nomenclatura escolar usual e exige, em qualquer abordagem, identificar o verbo ou nome a que o complemento se liga.

Verifique: “que” tem a mesma função em “O texto que explica a regra é claro” e “O texto que a turma leu é claro”?

Não. No primeiro, sujeito de “explica”: “o texto explica a regra”. No segundo, objeto direto de “leu”: “a turma leu o texto”. As duas orações são adjetivas restritivas, mas os relativos ocupam funções diferentes.

Verifique: em “O tema de que tenho conhecimento é relevante”, o segmento relativo completa verbo ou nome?

Completa o substantivo “conhecimento”: “tenho conhecimento do tema”. O segmento preposicionado com o relativo exerce função de complemento nominal. A oração inteira é adjetiva restritiva.

7. Regência antes do relativo

A preposição que antecede o relativo decorre da relação que ele estabelece dentro da subordinada. Reconstrua essa relação antes de escrever.

Relação na subordinadaConstrução com relativoJustificativa
Preciso do documento.O documento de que preciso está aqui.“Precisar” rege “de” nesse emprego.
Refiro-me à proposta.A proposta a que me refiro é viável.“Referir-se” rege “a”.
Concordo com a proposta.A proposta com que concordo é viável.“Concordar” rege “com” nesse emprego.
Tenho confiança na equipe.A equipe em que tenho confiança entregou o projeto.“Em que” completa o nome “confiança”.

Na norma-padrão: prefira “O documento de que preciso”, preservando a regência, em vez de “O documento que preciso”. Não confunda esse problema com a escolha entre restritiva e explicativa.

Crase em reescritas

A proposta a que me refiro é viável.
A proposta à qual me refiro é viável.

Antes do relativo “que”, nesse exemplo, há preposição “a”, sem artigo e sem crase. Na reescrita com “a qual”, a preposição se combina ao “a” do relativo: “à qual”.

Verifique: corrija, na norma-padrão, “A proposta que me refiro é viável”.

“A proposta a que me refiro é viável.” Também: “A proposta à qual me refiro é viável”. O verbo pronominal “referir-se” exige preposição “a”.

Verifique: por que há “de” em “A aprovação de que tenho certeza”?

Porque o relativo participa do complemento do substantivo “certeza”: “tenho certeza da aprovação”. A preposição decorre da regência nominal, não necessariamente de um verbo.

8. O emprego de “cujo”

“Cujo” relaciona um antecedente a um substantivo seguinte, com valor possessivo ou associativo. Concorda com esse substantivo seguinte, não com o antecedente.

O autor cujas obras li participará.
Antecedente: “o autor”.
Substantivo seguinte: “obras”, feminino plural.
Relação: li as obras do autor.

Na análise escolar usual, “cujas” funciona como adjunto adnominal de “obras”. O grupo inteiro “cujas obras” funciona como objeto direto de “li”. Não atribua automaticamente ao pronome a função do grupo inteiro.

Construção inadequada na norma-padrãoForma adequadaMotivo
O autor cuja a obra li…O autor cuja obra li…Não use artigo depois de “cujo”.
O autor cujo eu entrevistei…O autor que eu entrevistei…“Cujo” não substitui “que” sem um substantivo seguinte e sem a relação associativa.
O autor à cuja obra me referi…O autor a cuja obra me referi…Há preposição “a”, mas não artigo que produza crase antes de “cuja”.

A preposição pode preceder o grupo com “cujo”:

A pesquisadora de cujas ideias discordo participará.
Reconstrução: discordo das ideias da pesquisadora.

“De” é exigido por “discordar”; “cujas” concorda com “ideias” e mantém sua função de adjunto adnominal. O grupo preposicionado tem a função determinada pela regência do verbo.

Verifique: por que se escreve “O professor cujas alunas venceram” e não “O professor cujo alunas venceram”?

Porque o relativo concorda com o substantivo seguinte “alunas”, feminino plural. O gênero masculino de “professor” não determina a forma de “cujo”.

Verifique: em “O autor cuja obra li”, “cuja” é objeto direto de “li”?

Não. “Cuja” funciona como adjunto adnominal de “obra”. O grupo “cuja obra” é objeto direto de “li”. É necessário separar a função da palavra da função do grupo.

9. Onde, aonde e a identificação do lugar

Nos usos locativos recomendados na norma-padrão, “onde” equivale a “em que” ou “no qual”, e “aonde” contém a preposição “a” exigida pela construção. A escolha não depende apenas de haver movimento.

ExemploReconstruçãoJustificativa
A cidade onde moro é tranquila.Moro na cidade.Relação de lugar com “em”.
A cidade aonde vou fica perto.Vou à cidade.O verbo exige “a” nesse emprego.
A cidade de onde vim fica longe.Vim da cidade.Origem, com “de”.
A cidade por onde passei fica perto.Passei pela cidade.Percurso, com “por”.

Evite “onde” para antecedente sem valor de lugar em construções como “A decisão onde discordamos”. Prefira “A decisão de que discordamos” ou “A decisão da qual discordamos”.

EstruturaAnálise
O local onde montaremos a barraca tem sombra.Adjetiva restritiva: modifica o antecedente “local”.
Montaremos a barraca onde houver sombra.Locativa, no referencial que reconhece essa classe: situa a montagem, sem nome antecedente expresso.
Não sei onde ocorrerá a prova.Substantiva objetiva direta desenvolvida: expressa o conteúdo da dúvida. “Onde” é interrogativo.
Verifique: ter verbo de movimento exige sempre “aonde”?

Não. A preposição depende da regência e do sentido. “De onde vim” indica origem; “por onde passei”, percurso. Não se decide apenas pela ideia de movimento.

Verifique: em “A biblioteca onde estudo abre cedo”, a oração inteira é adverbial porque “onde” indica lugar?

Não. A oração modifica o antecedente “biblioteca” e é adjetiva restritiva. Dentro da subordinada, “onde” exerce função de adjunto adverbial de lugar.

10. “Que” relativo × conjunção integrante

PeríodoNatureza de “que”Função da oração
A estudante afirmou que entendeu o texto.Conjunção integrante, sem função sintática dentro da subordinada.Substantiva objetiva direta: afirmou isso.
A estudante leu o texto que o professor indicou.Pronome relativo, retoma “texto” e é objeto direto de “indicou”.Adjetiva restritiva: modifica “texto”.
Tenho certeza de que o prazo terminou.Conjunção integrante, precedida da preposição exigida por “certeza”.Substantiva completiva nominal.
O prazo de que me lembro terminou.Pronome relativo, retoma “prazo”; a preposição vem de “lembrar-se”.Adjetiva restritiva.

Procedimento: procure o antecedente retomado e reconstrua a subordinada. Na oração relativa, o antecedente preenche uma função dentro dela. A mera proximidade de um substantivo antes de “que” não prova a existência de pronome relativo.

Verifique: por que “que”, em “Tenho certeza de que o prazo terminou”, não retoma “certeza”?

Porque não ocupa uma função dentro de “o prazo terminou” retomando esse nome. Introduz o conteúdo que completa “certeza”. É conjunção integrante, e a oração é completiva nominal.

Verifique: qual é a natureza de “que” em “A certeza que ela demonstrou impressionou a turma”?

Pronome relativo: retoma “certeza” e funciona como objeto direto de “demonstrou”: “ela demonstrou a certeza”. A oração é adjetiva restritiva.

11. Desenvolvidas e reduzidas

Nos exemplos básicos, as desenvolvidas apresentam elemento relativo e verbo em forma finita. As reduzidas não apresentam esse relativo introdutório e têm núcleo verbal em forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. Podem ser precedidas de preposição.

FormaExemploDesenvolvimento possível
InfinitivoHá exercícios a resolver.Há exercícios que devem ser resolvidos.
GerúndioOs estudantes morando longe da escola solicitaram transporte.Os estudantes que moram longe da escola solicitaram transporte.
ParticípioOs documentos assinados pela diretora estão aqui.Os documentos que foram assinados pela diretora estão aqui.

Nas leituras propostas, os trechos modificam, respectivamente, “exercícios”, “estudantes” e “documentos”, e são adjetivas restritivas reduzidas.

Confira o termo modificado e a relação com a principal. Compare: “Morando longe da escola, os estudantes dependem do transporte”. Nesse contexto, o gerúndio pode apresentar uma circunstância causal: “Porque moram longe…”. A forma verbal sozinha não decide se a oração é adjetiva ou adverbial.

Nem toda palavra de origem participial precisa ser oração reduzida: pode haver adjetivo lexicalizado. “Documentos assinados pela diretora” evidencia uma leitura verbal passiva pelo agente e pela transformação em “que foram assinados”. A paráfrase deve preservar o sentido, não ser aplicada mecanicamente.

Verifique: classifique “assinados pela diretora”, em “Os documentos assinados pela diretora estão aqui”.

Na leitura verbal proposta, adjetiva restritiva reduzida de particípio. O trecho modifica “documentos”. Desenvolvimento: “Os documentos que foram assinados pela diretora estão aqui”.

Verifique: em “Há exercícios a resolver”, a preposição “a” impede a redução?

Não. Uma reduzida de infinitivo pode ser precedida de preposição. “A resolver” modifica “exercícios”, na leitura adjetiva proposta.

12. Atividades com respostas comentadas

Estas atividades são autorais. Antes de abrir a resposta, identifique o antecedente, explique a relação de sentido e reconstrua a função do relativo, quando solicitada.

1. Classifique “que entregaram o trabalho”, em “Os estudantes que entregaram o trabalho receberão devolutiva”.

Subordinada adjetiva restritiva desenvolvida. O trecho delimita os estudantes aos quais se aplica a devolutiva. Antecedente: “os estudantes”.

2. “A professora, que chegou ontem, abrirá a reunião”: a explicativa exige informação previamente conhecida?

Não. A chegada pode ser informação nova. A subordinada acrescenta informação suplementar sobre a professora, apresentada como referente identificado.

3. Explique a mudança: “Os livros que estão na mesa são meus” / “Os livros, que estão na mesa, são meus”.

Sem vírgulas de isolamento, a localização delimita os livros aos quais se aplica a propriedade. Com isolamento, a localização é apresentada como informação sobre o grupo de livros referido. A reescrita pode alterar o alcance da afirmação.

4. Qual é a função de “que” em “Os documentos que chegaram estão na secretaria”?

Sujeito de “chegaram”: “os documentos chegaram”. A oração inteira “que chegaram” é adjetiva restritiva, não sujeito isolado de “estão”.

5. Qual é a função de “que” em “O documento que a diretora assinou está aqui”?

Objeto direto de “assinou”: “a diretora assinou o documento”. O antecedente é “documento”.

6. Corrija na norma-padrão: “O documento que preciso está aqui”.

“O documento de que preciso está aqui.” “Precisar” exige “de” nesse emprego. A preposição deve anteceder o relativo.

7. Classifique a função relativa em “A aprovação de que tenho certeza depende do resultado”.

O segmento “de que” completa o nome “certeza”: complemento nominal. Reconstrução: “tenho certeza da aprovação”. A oração é adjetiva restritiva.

8. Corrija: “O professor cuja as alunas participaram chegou”.

“O professor cujas alunas participaram chegou.” O relativo concorda com “alunas”, e não se coloca artigo depois de “cujo”.

9. Em “O professor cujas alunas participaram”, “cujas” é sujeito de “participaram”?

Não. “Cujas” é adjunto adnominal de “alunas”. O grupo “cujas alunas” funciona como sujeito de “participaram”.

10. Reescreva com “a qual”: “A proposta a que me refiro é viável”.

“A proposta à qual me refiro é viável.” A preposição “a”, exigida por “referir-se”, combina-se ao “a” do relativo “a qual”.

11. Corrija: “O autor à cuja obra me referi participará”.

“O autor a cuja obra me referi participará.” Há preposição “a”, mas não artigo antes de “cuja”; não ocorre crase.

12. “Onde” tem o mesmo emprego em “A cidade onde moro cresceu” e “Não sei onde ela mora”?

Não. No primeiro, é relativo com antecedente “cidade”, em uma oração adjetiva restritiva. No segundo, é interrogativo, em uma substantiva objetiva direta desenvolvida. Em ambos, indica lugar dentro da subordinada.

13. Qual é a função de “por quem” em “O profissional por quem o projeto foi elaborado chegou”?

Agente da passiva: “o projeto foi elaborado pelo profissional”. A oração inteira é adjetiva restritiva e modifica “profissional”.

14. “Que” é relativo em “Espero que a turma participe”?

Não. É conjunção integrante. A oração “que a turma participe” funciona como objeto direto de “espero”, sem antecedente retomado por “que”.

15. Classifique “assinados pela diretora”, em “Os relatórios assinados pela diretora estão prontos”.

Na leitura verbal, adjetiva restritiva reduzida de particípio. Desenvolvimento possível: “Os relatórios que foram assinados pela diretora estão prontos”.

16. Julgue: toda oração adjetiva restritiva comprova que há um grupo excluído.

Errado. Ela estabelece uma delimitação da referência, mas não afirma necessariamente que alguém fique fora. “Os estudantes que acertarem receberão o certificado” estabelece um critério sem provar que alguns errarão.

17. Julgue: a função do relativo é sempre a mesma função do antecedente na principal.

Errado. Em “O livro que li está aqui”, o grupo com “livro” integra o sujeito de “está”, mas “que” é objeto direto de “li”. A função do relativo se analisa dentro da subordinada.

18. Produção: escreva uma relativa restritiva com “de que” e justifique a preposição.

Uma possibilidade: “O assunto de que gosto será discutido”. A preposição decorre de “gostar de”: “gosto do assunto”. No tratamento escolar usual, o segmento relativo é objeto indireto; a oração modifica “assunto”.

13. Síntese e aprofundamento

  • Adjetiva: modifica um antecedente nominal.
  • Restritiva: integra a delimitação da referência.
  • Explicativa: acrescenta informação suplementar.
  • Relativo: retoma o antecedente e exerce função dentro da subordinada.
  • Regência: preserve a preposição exigida pelo verbo ou nome.
  • Cujo: concorda com o substantivo seguinte; não admite artigo nessa construção.
  • Onde/aonde: confira valor de lugar e preposição exigida.

Autoavaliação: consigo justificar as vírgulas pelo sentido? Consigo reconstruir a função do relativo? Consigo distinguir a função da palavra da função da oração? Consigo reescrever com “o qual” preservando a regência?

Aprofundamento: “o que” e relativas sem antecedente expresso

Em “Escolhi o que você recomendou”, uma análise escolar tradicional identifica “o” como pronome demonstrativo equivalente a “aquilo”, antecedente do relativo “que”. “Que você recomendou” é adjetiva restritiva e “que” é objeto direto de “recomendou”.

Abordagens linguísticas também tratam determinadas construções com “quem” e “o que” como relativas livres. Por envolver diferenças de estrutura e nomenclatura, esse tema deve ser estudado depois das relativas com antecedente expresso, conforme o referencial.

Referências e enquadramento

Este percurso usa a nomenclatura escolar usual, separando função do relativo, classificação da oração e interpretação da referência. Diferenças sobre complemento relativo e relativas livres são sinalizadas no aprofundamento.

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 39. ed. Seções sobre relativos, orações adjetivas, regência de relativos e emprego de “cujo”.
  • ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 32. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994. Referência de aprofundamento indicada no site.
  • KURY, Adriano da Gama. Novas lições de análise sintática. 2. ed. São Paulo: Ática, 1986. Referência de aprofundamento indicada no site.

Exemplos e atividades são autorais, sem apresentação como questões já aplicadas ou citações literais dos livros.