Graciliano Ramos, São Bernardo: debate sobre a escrita
— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!
Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala.
— Não pode? — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.
Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
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Gondim diz que um artista não pode escrever como fala. Paulo Honório acha o texto dele “pernóstico”. O que está em jogo?
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Prova original (INEP) LP-LI-01 · Relacionar o texto aos traços de um estilo de época