Professor Jailton

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As orações subordinadas adverbiais recebem essa denominação porque expressam uma circunstância da oração a que se subordinam; essa circunstância é a função de um advérbio.

Quando desenvolvidas, iniciam-se por conjunção subordinativa; quando reduzidas, podem apresentar-se na forma infinitiva, gerundial ou participial.

Eis como se classificam:
I) Oração subordinada adverbial causal
É a que expressa uma causa do fato contido na oração principal , que, por sua vez, contém uma consequência do que vem expresso na subordinada. Ha, portanto, uma relação de causa e consequência entre a principal e a subordinada. Ex.:

Como não fez a prova, ficou com nota zero.
Uma vez que o ônibus atrasou, perdi a festa.
A menina chorava, porque o namorado brigou com ela.
Ajudando os outros, empobreceu.
Adoeceste, por comeres demais.
Despedido do emprego, passou a pedir esmolas.

Obs.: Sobre as orações adverbais causais, Rocha Lima faz a seguinte e importante observação:

Observação:
As conjunções que e porque ora têm valor coordenativo (conjunções explicativas), ora valor subordinativo (conjunções causais). Em certas línguas, distinguem-se estes dois papéis pela diversidade de partícula: no primeiro caso, equiparam-se ao francês car. ao inglês /ar e ao alemfio denn; no outro, valem, respectivamente, por parce que, because e wei/.
Nem sempre é fácil, por sem dúvida, diferençá-las com nitidez. Todavia, atente-se para os seguintes traços caractcrizadores de uma e outra:
a) valor coordenativo:
A oração coordenada de que e porque, como, aliás, qualquer oração coordenada, é feita para introduzir uma ideia nova, dentro de uma sequência do tipo A + A. Por encerrar a justificação do que se disse na oração anterior, tem, forçosamente, de seguir-se a esta. Por outro lado, separa-a da oração antecedente uma pausa de certa duração — pausa que, com frequência, se assinala por pontoe-vir gula e, ate, por ponto simples, além de se marcar, naturalmente, por vírgula:
"Não é oração aceitável a do ocioso; porque a ociosidade o dessagra."
"Os "maus" só lhe inspiram tristeza e piedade. Sõ o "mal" é o que o inflama em ódio. Porque o ódio ao mal é o amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino." (Ambos os exemplos são de Rui Barbosa, na célebre Oração aos Moços).
b) valor subordinativo:
A oração subordinada de que e porque é parte de outra oração, na qual funciona como adjunto adverbial — dentro de um esquema do tipo deter-minado + determinante, ou por outras palavras: principal + dependente. E entre elas existe, necessariamente, uma relação de "causa" e "consequência".
Eis aí a verdadeira pedra-de-toque: a oração principal encerra sempre a consequência do que se declarou na subordinada, e nesta, por sua vez, se apresenta a razão sem a qual não haveria aquela consequência. Em suma: são partes correlativas do mesmo todo.
Além disso, á subordinada causal pode antepor-se à principal, i caso em que dela se separa por pausa menor, marcada por vírgula; pospondo-se-lhé, pode também isolar-se por vírgula, ou, até, dispensar sinal de pontuação.
Comparem-se os exemplos:
Espere-me um instante, que (porque) não demorarei.
(Evidentemente, não existe, aí, nenhuma relação de causa e consequência; com a segunda oração, faz-se tão-só uma justificação do que se reco¬mendara na primeira).
Já na frase:
O capitalista se matou / porque estava arruinado. —, a oração "porque estava arruinado" nos informa sobre a condição determinante, a razão eficiente da morte do capitalista. Se ele não estivesse arruinado, não se teria matado; portanto, o estar arruinado (causa) foi o que acarretou o ter-se matado (consequência).

2) Oração subordinada adverbial consecutiva

É a que se apresenta como consequência da oração principal, que expressa sua causa, invertendo-se, portanto, a relação entre causa e consequência da subordinada causal. Ex.:

Maria foi tão bondosa, que me deixou supreso.
Chovia tanto, que as ruas ficaram alagadas.
Estudou tanto a ponto de ficar louco.
Pedro não abre a boca uma vez sem dizer tolices.

3) Oração subordinada adverbial concessiva

É a oração subordinada que expressa um fato que poderia se opor a realização do fato contido na oração principal. Só que o fato da principal se realiza independentemente do fato da subordinada. Ex.:

Embora não fosse feliz no casamento, vivia com a esposa.
Por mais que estudasse, não conseguia entender a matéria.
Ia à igreja todos os domingos, mesmo não sendo católico.
O homem voltou, apesar de ter sido expulso dali.

4) Oração subordinada adverbial condicional

É a oração subordinada que impõe um fato (real ou hipotético) para que o fato da oração principal se realize. Ex.:
Se eu tivesse vinte anos, casar-me-ia contigo.
Salvo se houver proibição, tudo é permitido.
Desaparecendo a causa, cessa o efeito.
Perdido o emprego, pedirás esmola.

5) Oração subordinada adverbial comparativa

É a oração subordinada que traz em si uma comparação. Não raro, dá-se-lhe a elipse de termos da oração principal. Ex.:

Assim como a garça levanta voo, também a voz dos oprimidos se e levam ao céu.
Joaquim andava triste, como um viajante solitário.
As formigas são menos preguiçosas que as cigarras.

6) Oração subordinada adverbial conformativa
É a oração subordinada que expressa um fato realizado em conformidade, de acordo com outro. Ex.:
Tudo será feito, conforme manda a lei.
Amai-vos uns aos outros, como disse o Cristo.
A matéria está sendo desenvolvida, segundo está no nosso programa.

7) Oração subordinada adverbial final
É a oração subordinada que expressa a finalidade da oração principal. Ex.:
Rezemos para que o mundo tenha paz.
Trabalhe para ter dinheiro.
O homem saiu a fim de encontrar um amigo.

8) Oração subordinada adverbial proporcional
É a oração subordinada que estabelece uma proporção entre o fato contido na oração principal e o que ela expressa. Ex.:
A noite chega, à proporção que a luz recua.
À medida que o tempo vai passando, a saudade aumenta.
Quanto mais trabalho, menos valor me dão.

9) Oração subordinada adverbial temporal
É a oração que mostra um fato ocorrido antes, ao mesmo tempo ou depois do fato contido na oração principal. Ex.:
Antes de falar qualquer coisa, pense muito.
"Eu os declaro marido e mulher até que a morte os separe."
Quando chegar a casa, eu falo com minha mãe.
Depois que partiu, nunca mais voltou aqui.
Terminando a festa, iremos para casa.
Ao sair, feche a porta.
Feito o silêncio pedido, o professor pôde falar.

10) Oração subordinada adverbial modal
É a oração subordinada que mostra o modo como se realiza o fato contido na oração principal. Ex.:
Encontrei Joana sentada na praça, pensando na vida.
Entre, sem fazer barulho.
Passou por aqui, sem que ninguém o visse.
Obs.: Essa oração não consta da NGB.

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