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FUNÇÕES DA LINGUAGEM
O
que é um ato de comunicação verbal segundo a teoria lingüística
apresentada por Roman Jakobson no texto: "Lingüística e Poética".
Histórico
O princípio dos estudos lingüísticos
acerca da comunicação verbal remontam ao início da década de 20, quando
um grupo de lingüistas se reuniram e formaram o Círculo lingüístico de
Praga.
A pesquisa do grupo sobre a linguagem
era delineada pela poesia pois é nela onde o elemento da linguagem fica
mais exteriorizado. O Círculo lingüístico de Praga possuía uma
perspectiva de estudo funcional e foi desta perspectiva que surgiu seu
principal trabalho, apresentado em 1929 no I Congresso Internacional de
Eslavistas. A concepção que reinou no congresso foi a da impossibilidade
de compreensão de qualquer fato de língua sem considerar o sistema ao
qual ele pertence.
Os praguenses, como cita Carone,
explicam como problema fundamental, a relação entre a língua e a
realidade, e formularam trabalho que ficou conhecido como "As Teses de
29". Este apresentou a distinção entre duas funções lingüísticas: a
"função de comunicação" e a "função poética". A primeira é voltada para
o significado enquanto que a segunda se volta para o signo.
A próxima evolução apareceu em 1934 com
Karl Bühler, que desenvolveu um modelo triádico da linguagem, ou seja,
apresentou três funções da linguagem. Podemos relacionar cada uma delas
a uma pessoa verbal.
A função de representação,
Darstellugsfunktion, relaciona-se a ELE, ou seja, ressalta o assunto
tratado. A função de expressão, Kundgabefunktion, relaciona-se ao
EU, é a função de exteriorização. E a função de apelo, Appelfunktion,
é a função conativa.
E foi baseado nestes trabalhos que
Roman Jakobson, um dos fundadores do Circulo Lingüístico de Praga,
elaborou a definição do ato de comunicação verbal.
Para o autor seria imprescindível a
presença de seis elementos fundamentais para a ocorrência de um ato de
comunicação verbal. Estes elementos fundamentais da comunicação verbal
são: remetente, destinatário, contexto, mensagem, contato e código.
Remetente (ou
emissor):
indivíduo ou grupo que envia uma
mensagem a um ou mais receptores. O emissor corresponde à primeira
pessoa do verbo, o EU ou NÓS, é aquele que fala.
Destinatário (ou
receptor):
indivíduo ou grupo que recebe a
mensagem. Corresponde à segunda pessoa do discurso, TU ou VÓS, aquele
com quem se fala.
Mensagem:
é o ato da fala, conjunto de
enunciados. Falar significa selecionar e combinar signos. Portanto a
mensagem é a seleção e combinação de signos realizada por um determinado
indivíduo. Mensagem é a coisa concreta que se passa para o receptor.
Contexto (ou
referente):
é o conteúdo, assunto, da mensagem.
Corresponde à terceira pessoa do discurso. Que é algo ou alguém de que
se fala. O contexto é o objeto da mensagem.
Código:
é a língua com que se fala.
O código é o instrumento da fala. Código é um conjunto de signos
convencionais e sua sintaxe, que deve ser total ou parcialmente comum ao
emissor e ao receptor.
Canal:
é o meio físico por onde
passa a mensagem entre o emissor e o receptor. O meio físico pode ser
sonoro ou visual. Canal também é a conexão psicológica entre emissor e
receptor.
O processo de comunicação envolvendo
estes seis elementos ocorre da seguinte maneira:
O emissor envia uma mensagem
ao receptor. Esta mensagem possui um referente, ou alguém
a que se refere, suscetível de ser verbalizado, e que deverá ser
apreendido pelo destinatário. No entanto, para que isto ocorra também é
necessário que o emissor e o receptor disponham de um código
comum, no todo ou em parte, e que exista entre ambos um contato,
uma conexão física ou psicológica.
Todos estes seis fatores da comunicação
verbal são inalienáveis. Eles estão esquematizados a seguir:
Contexto
Remetente ------ Mensagem ------
Destinatário
Contato
Código
Jakobson continua seu estudo dizendo
que cada um dos seis elementos fundamentais determina uma diferente
função da linguagem.
Fatores da
Comunicação Determinam Funções da Linguagem:
Destinador
.............................................Função Emotiva
Destinatário
............................................Função Conativa
Mensagem
..............................................Função Poética
Contexto
................................................Função Referencial
Canal
.....................................................Função Fática
Código
...................................................Função
Metalingüística
O esquema dos fatores pode ser
completado com um esquema correspondente das funções:

Em uma única mensagem , praticamente
todas as funções se combinam. Cada mensagem, possui uma natureza
distinguível, e o que possibilita isso é a ordem hierárquica em que as
funções se encontram em determinada mensagem.
Para Jakobson as mensagens em geral têm
várias funções, elas têm uma estrutura de funções (funcional), montada
de forma hierárquica. As mensagens possuem várias funções, mas uma é
sempre predominante sobre as outras. Esta predominância decorre do
enfoque que o emissor dá em um dos fatores.
Assim a estrutura verbal de uma
mensagem depende basicamente de sua função predominante. A estrutura
verbal é a construção, a partir da escolha e da combinatória ,dos
signos.
A estrutura verbal da mensagem decorre
da sua função predominante. Ou como diria Haroldo de Campos "A função
dominante será a definidora do perfil da mensagem".
Funções
da Linguagem
Função Referencial ou
Denotativa - é aquela que traduz
a realidade exterior ao emissor. Ex.: os jornais sempre utilizam esse
tipo de linguagem pois, relatam fatos verdadeiros, os livros didáticos,
de história, geografia, etc., também usam essa mesma linguagem.
Função Emotiva ou
Expressiva - é aquela que traduz
opiniões ou emoções do emissor. Essa linguagem se caracteriza quando
alguém expressa sua opinião sobre determinado assunto. Ex.: "Eu acho que
aquele rapaz não está passando bem, parece que está com febre".
Função Fática
- é aquela que tem por objetivo prolongar o contato com o receptor ou
iniciar uma conversa, caracteriza-se pela repetição de termos. Ex.: "O
que você acha dos políticos? - Olha, no meu ponto de vista, sabe, eu
acho que,...bem...como eu estava dizendo, os políticos, sabe como é né?
É isso aí".
Função Conativa ou
Apelativa - é aquela que tem por
objetivo influir no comportamento do receptor, por meio de um apelo ou
ordem. As propagandas veiculadas na televisão são um bom exemplo desse
tipo de linguagem. Ex.: "Compre o sabão espumante, que borbulha melhor
do que qualquer outro!".
São características dessa função:
verbos no imperativo, presença de vocativos; pronomes de segunda pessoa.
Função Metalingüística
- é aquela que utiliza o código para explicar o próprio código. Um bom
exemplo dessa função são os dicionários da língua portuguesa.
Função Poética
- é aquela que enfatiza a elaboração da mensagem de modo a ressaltar o
seu significado. Ao utilizar essa função o autor se preocupa com rimas e
comparações bem escolhidas, dando importância fundamental à maneira de
estruturar a mensagem. Embora seja mais comum em poesia, essa função
pode aparecer em qualquer tipo de mensagem lingüística. Ex.: "sua alma
sua palma" (provérbio), Gilberto Gil (nome de artista).
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